Erva-mate descafeinada existe mesmo?
Essa pergunta já passou pela tua cabeça? Pois é, não é à toa que esse tema é um tema super pesquisado na internet — e, curiosamente, também o mais lido do meu blog. Mas antes de responder “existe ou não existe?”, bora entender por que essa bebida é tão especial — e por que a ciência segue fascinada pela nossa boa e velha erva-mate.
Mais do que tradição: o poder da erva-mate
A erva-mate (Ilex paraguariensis) é uma planta nativa da América do Sul e uma verdadeira joia cultural e nutricional.
Do chimarrão no Rio Grande do Sul ao tereré no Paraguai e Argentina, ela atravessa gerações carregando não só tradição, mas também inúmeros benefícios à saúde.
Entre os principais efeitos estudados estão:
Ação antioxidante potente, graças aos polifenóis e compostos bioativos;
Melhora da concentração e do humor, pela presença de cafeína e teobromina;
Efeito termogênico e metabólico, que pode auxiliar na queima de gordura;
Suporte cardiovascular e digestivo, devido à ação anti-inflamatória moderada.
Ou seja: o chimarrão é mais do que um costume — é praticamente uma infusão funcional.
Quando o “bom dia” do chimarrão pode não ser tão bom assim
Apesar dos inúmeros benefícios, nem todo mundo tolera bem a cafeína presente na erva-mate. Pessoas com hipertensão, gastrite, refluxo, ansiedade ou insônia podem apresentar efeitos indesejados, como:
Aumento da pressão arterial;
Irritabilidade e palpitações;
Azia e desconforto estomacal;
Dificuldade para dormir.
E aí surge a grande dúvida:
“Mas existe erva-mate sem cafeína para quem quer manter o hábito sem esses efeitos?”
A ciência por trás da cafeína (e por que é tão difícil removê-la
A cafeína é um dos principais compostos ativos da erva-mate.
Ela atua bloqueando receptores de adenosina no cérebro, o que aumenta o estado de alerta e reduz a sensação de fadiga.
O desafio é que, diferentemente do café, a cafeína na erva-mate está ligada a outros compostos antioxidantes — como os ácidos clorogênicos.
Por isso, removê-la sem comprometer o sabor e as propriedades é um processo complexo e caro, o que explica por que quase não se encontra erva-mate descafeinada no mercado brasileiro.
Mas segura essa informação… porque agora vem a parte que quase ninguém sabe.
A surpresa vem de fora: sim, existe erva-mate descafeinada — e ela é feita com erva do Brasil!
Sim! A erva-mate descafeinada existe, mas é fabricada no Uruguai pela empresa Abuelita, que — olha só — utiliza erva-mate cultivada no Rio Grande do Sul em sua produção.
Esse processo é feito por meio de técnicas de descafeinação controlada, que removem boa parte da cafeína, mas preservam os compostos antioxidantes e o sabor característico da infusão.
O resultado?
Um chimarrão com gosto e aroma muito semelhantes ao tradicional, mas com baixo teor de cafeína — ideal para gestantes, lactantes, pessoas com hipertensão, ansiedade ou intolerância à cafeína.
Por outro lado, quem busca aquele “up” energético típico do chimarrão pode sentir falta do efeito estimulante.
E aí, gauderiada: chimarrão descafeinado é inovação ou frescura?
Enquanto nossos vizinhos uruguaios seguem saboreando a versão descafeinada da nossa erva, o Brasil ainda não abraçou essa ideia.
Mas uma coisa é certa: a erva-mate é uma das infusões mais ricas, estudadas e cheias de história do planeta.
Seja com cafeína ou sem, ela segue sendo um símbolo de conexão, saúde e tradição.
Referências
Heck CI, de Mejia EG. Yerba Mate Tea (Ilex paraguariensis): A Comprehensive Review on Chemistry, Health Implications, and Technological Considerations. J Food Sci. 2007;72(9):R138–R151.
Bastos DHM et al. Antioxidant activity of yerba mate (Ilex paraguariensis) extracts and effects of storage on bioactive compounds. Food Chem. 2006;102(2):459–465.
Marques LC, et al. Caffeine content of yerba mate infusion and the effect of its consumption on lipid metabolism. J Ethnopharmacol. 2020;249:112356.
Ministry of Health of Uruguay. Normas de etiquetado de infusiones descafeinadas. Montevideo, 2020.
Bracesco N, et al. Recent advances on Ilex paraguariensis research: mini-review. J Ethnopharmacol. 2011;136(3):378–384.





