Bulking e Cutting: você realmente precisa passar por isso?
Se você já treina há algum tempo, certamente já ouviu falar nessas duas palavrinhas mágicas — bulking e cutting.
E talvez já tenha se perguntado:
“Preciso engordar para depois emagrecer?”
“Será que isso é mesmo necessário pra ter resultados?”
Pois bem. Vamos aos fatos (e à ciência).
O que são bulking e cutting?
Essas duas fases fazem parte de uma periodização alimentar e de treino com foco em otimizar a composição corporal — ou seja, ganhar o máximo de massa magra e depois reduzir a gordura corporal para obter maior definição muscular.
Bulking: É a fase de ganho de massa muscular. Aqui, o objetivo é ficar em superávit calórico, ou seja, consumir mais calorias do que se gasta, permitindo ao corpo ter substrato energético suficiente para construir músculos e se recuperar do treino. A dieta é hipercalórica e deve ser bem calculada, considerando o nível de atividade física e o treinamento realizado.
Cutting:
Já nessa fase, a prioridade é reduzir gordura corporal, tentando preservar o máximo possível da massa magra conquistada.
A dieta se torna hipocalórica, o que obriga o corpo a usar gordura armazenada como fonte de energia.
Na teoria, parece perfeito.
Mas na prática... nem sempre funciona assim.
O problema é que a vida real não é um gráfico de Excel
Primeiro, durante o bulking, é natural que junto com o aumento de massa muscular também ocorra um acúmulo de gordura corporal.
E segundo, durante o cutting, é praticamente inevitável que parte da massa magra seja perdida junto com a gordura, especialmente se a dieta for muito restritiva ou o treino mal ajustado.
Quando essas fases não são bem planejadas, o resultado é previsível:
Você termina o ciclo praticamente no mesmo ponto em que começou — só que mais frustrado.
Além disso, existe um fator emocional importante:
Muitas pessoas se sentem insatisfeitas durante o bulking, por ver o corpo “menos definido”, e acabam encurtando a fase ou piorando a adesão ao processo.
O cutting, por outro lado, exige muita disciplina alimentar e paciência, o que nem sempre é sustentável.
Então… é mesmo necessário fazer bulking e cutting?
A resposta é: depende.
Essas estratégias funcionam muito bem em contextos competitivos ou avançados, com avaliação corporal constante e ajuste nutricional preciso.
Mas para a maioria das pessoas que só quer melhorar o físico, saúde e performance, não é obrigatório passar por extremos.
É totalmente possível conquistar resultados expressivos com uma abordagem mais gradual, onde se busca o equilíbrio entre ganho de massa magra e controle da gordura corporal, sem a necessidade de ciclos tão marcados.
Dicas da nutri
Faça uma avaliação corporal — sem conhecer seu percentual de gordura, é impossível definir qual estratégia nutricional faz sentido para o seu momento.
Bulking não é “comer mais”, é comer estrategicamente.
Cutting não é “cortar calorias”, é calcular nutrientes de forma precisa para evitar deficiências e perda muscular.
Treine pesado, mas com propósito. A alimentação e o treino precisam caminhar juntos.
Conclusão
Bulking e cutting são ferramentas, não regras.
O verdadeiro resultado vem de planejamento, constância e personalização — e não de fases extremas que te fazem odiar o processo.
Na minha consultoria nutricional, ensino meus pacientes a construir o corpo que desejam de forma estratégica e sustentável, sem precisar viver em ciclos de “engorda e seca”.
Com base em ciência, individualidade e resultados reais.
Referências:
Slater G, Phillips SM. Nutrition guidelines for strength sports: sprinting, weightlifting, throwing events, and bodybuilding. J Sports Sci. 2011;29 Suppl 1:S67-77.
Helms ER, Aragon AA, Fitschen PJ. Evidence-based recommendations for natural bodybuilding contest preparation: nutrition and supplementation. J Int Soc Sports Nutr. 2014;11:20.
Morton RW et al. A systematic review, meta-analysis and meta-regression of the effect of protein supplementation on resistance training–induced gains in muscle mass and strength in healthy adults. Br J Sports Med. 2020;54(10):681–691.





